sexta-feira, 20 de abril de 2018

Minha experiência com óleo da Pebeo

Oi pessoal!




Eu vim fazer uma postagem hoje um pouco comprometedora. Trata-se da minha experiência com a tinta óleo Pebeo. Eu fiquei até um pouco receosa de fazer essa postagem e por acaso algum representante da marca acessar isso e vir me encher o saco. No entanto meu blog está há anos luz de ser famoso e não sou nenhuma influenciadora.


Devem ter 3 anos que eu fiz aula de pintura impressionista, onde a gama de cores é bem maior que a paleta da pintura acadêmica. Eu precisava então comprar 5 cores a mais. Na falta da grana eu não pude comprar Winton (que é a tinta boa que é disponibilizada na loja física da minha cidade). Haviam as marcas Gato Preto, Acrilex, Corfix e Pebeo. Seguindo aquele senso comum de que tintas importadas tem melhor qualidade que tinta nacional, eu levei as 5 cores. Eu imaginava que a Pebeo não tivesse a mesma qualidade que a Winton, mas pensei que pudesse ser melhor que Corfix e principalmente Gato Preto e Acrilex.

(sim, eu sei que elas estão feinhas, hahaha)

As cores compradas foram: Terra de Siena, Siena Queimada, Terra Verde, Azul Ultramar e o Violeta Dioxazine. Essas cores me foram até úteis, embora eu preferia que a indústria de materiais artísticos ainda disponibilizasse aquelas embalagens menores. Em primeiro lugar porque a qualidade da Pebeo, pelo menos na minha experiência, deixou muito a desejar. Segundo porque a gente acaba pagando mais caro e muitas vezes o tubo nunca acaba. Eu ao menos consegui comprar duas cores do tubo pequeno que sobraram na loja, hoje elas nem são mais fabricadas.


Eu achei a tinta bem oleosa e pouco pigmentada. O que não é nada bom. Para ser sincera a Corfix é melhor. As duas tintas com pigmentos terrosos até são meio grosseiras. Ao menos a marca disponibiliza o pigmento usado, exemplo: a Violeta Dioxazine é feita com o pigmento PV23 apenas. Também outra coisa boa é que ela recebe o selo AP da ACMI, que assegura que a tinta não é toxica, ou não é tão toxica.


Pois bem pessoal, agora uma coisa que eu vou dizer que é realmente triste: um quadro meu onde eu utilizei as 5 cores da Pebeo acabou escurecendo com o tempo. Triste, não é?! Esse tipo de coisa eu não tinha visto acontecer com outras tintas, apenas com uma Flake White HUE (uma imitação de branco de chumbo feita com a mistura de titânio e zinco). A marca surgiu em 1919, mas pelo visto esses quase 100 anos de existência não foram parâmetros.


Longe de mim indicar comprar Gato Preto e Acrilex, embora a Pebeo não fique muito longe disso. Só quero deixar minha experiência para vocês refletirem na hora de comprar suas tintas e darem preferência para algo melhor.

terça-feira, 10 de abril de 2018

O Tritão - 2017


Oi pessoal!


Eu fechei o ano de 2017 com um estudo, porém um estudo que gostei tanto que acabei emoldurando. A gente que é artista não tem dinheiro pra nada e molduras custam caro. Logo da pra perceber que eu realmente gostei do resultado!


Nessas horas é que a gente percebe que temos que tomar cuidado com certos materiais improvisados, pois um teste ou estudo pode ser tornar algo bom. Portanto é melhor fazer pinturas com materiais melhores. O que eu quero dizer é que eu tenho uma verdadeira mania de reciclagem e aproveitar painéis de MDF e compensados para pintar. É claro que eu faço todo aquele processo de preparação com gesso acrílico. Esse estudo foi feito em um desses painéis que provavelmente há alguns anos devia ser um pedaço de uma mesa de computador.




A história dessa pintura foi a seguinte: já faz tempo que eu consigo identificar qualidade nas tintas óleo e também suas diferenças entre as tintas nacionais baratas que temos por aí. A escolha de materiais de qualidade não é aleatória, há motivos pelos quais a gente prefere usar uma Rembrandt que uma Gato Preto. Assim sendo eu queria fazer uma postagem no blog fazendo comparativos em uma pintura feita com tintas nacionais.


Como eu iria usar tintas nacionais para apenas um estudo, não me importei em usar o MDF preparado. Eu decidi fazer uma pintura com temática marinha, pois amo “sereismo”. Além de usar o corpo masculino, que quase não exploro. Nem todas as cores que usei foram nacionais, pois muitas das tintas baratinhas que eu tinha foram doadas e outras acabaram, tive que, por exemplo, usar o ocre da linha profissional da Winsor e Newton , já que não tinha mais ocre nacional. Digamos que o quadro deve ter sido pintado por pelo menos 20% com essas tintas baratinhas.


O que eu poderia imaginar aconteceu. As camadas feitas com as tintas nacionais ficavam bem mais transparentes que nas pinturas que faço com tintas melhores. Era necessário fazer mais camadas. Tudo bem que eu trabalho com muitas camadas, mas nesse caso eu tive que fazer o rosto muitas vezes e o desenho na tela acabava aparecendo e não queria cobrir.


Outra coisa importante de deixar claro é a falta de pigmentação. Por conta do preço dos pigmentos de qualidade, é inviável, por exemplo, a Acrilex fabricar suas tintas com pigmento bom e estável e querer cobrar o preço de um pigmento barato. Ainda nesse assunto sobre qualidade de materiais, o mais importante: a secagem! Sim, as tintas nacionais pecam também no quesito de estabilidade. Demorou muito para secar, o que interfere nas camadas. Às vezes a gente precisa que a camada inferior seque quase que totalmente para que se possa passar outra camada superior, logo todo o processo se torna mais lento e no final a gente não tem garantias de que a secagem será segura. Foi sim realmente interessante fazer esse estudo agora que eu tenho uma noção melhor sobre estabilidade dos pigmentos e posso compartilhar com vocês. A gente aprende que até nos estudos é interessante que usemos materiais bons.



Eu falei tanto sobre a falta de qualidade das tintas, porém no final das contas eu gostei da pintura! Como eu já disse, eu pouco exploro o corpo masculino e tenho que fazer isso mais vezes. A pintura fez até sucesso nas moldurarias onde as atendentes me perguntaram se o personagem é meu namorado ou comentários como “que gatão”!


Eu fiquei com medo de que o MDF (ou compensado) onde a pintura foi feita acabasse sendo danificado e esse foi o principal motivo para que eu mandasse emoldurar. Eu peguei uma moldura mais em conta, porém que casasse com o quadro, afinal não dá pra colocar qualquer moldura, isso pode matar sua arte! No final acabei pegando uma cor verde clara puxada para o azul, remetendo ao “sereismo” e temática marítima.




O mar nos acalma e nos faz refletir sobre diversos aspectos da vida, foi assim que pensei em colocar a linha do horizonte no mesmo nível dos olhos do tritão.


As cores usadas foram:
Brando de titânio da Georgial Oil
Amarelo ocre da Winsor and Newton
Cermelho da China da Corfix
Preto da Corfix
Azul da Pússia da Acrilex
Griz de Payne da Gato Preto
Verde Esmeralda da Corfix
Amarelo de Nápoles da Corfix
Cor de Carne Claro 
Sombra Queimada da Winton
Terra de Siena da Pebeo
Azul Ultramar da Pebeo
Vermelion da Van Gogh (na assinatura)